Ai se te amo...
Pesa-me a mão direita e humedeço a folha de rasculho , não mais amachucada do que eu. Caio em abolia , fito os olhos no chão e dilacerada deixo-me invadir pela inércia. Se me rio, gracejo e até pareço feliz, é para que não saibas que me deixas assim. Saberes seria o desabar do mundo que sozinha construi apoiada em ilusões que me mantiveram viva.
Agora tento apenas desabafar tudo o que te não posso dizer e que ninguém parece acreditar.
E eu odeio frases complexas e balofas, estruturas invertidas e sem sentido, palavras eruditas e pedantes. Tudo isso é caro ao amor lírico e platónico, não ao amor que te tenho. Que é puro mas é concreto, palpável e vermelho, que é o mar, as crianças , a melodia, o descanso, a noite , o sol, os livros, um piano, uma caneta, uma folha em branco, é a imaginação , o vento, a dor , o desejo, as tuas mãos... é o mundo inteiro. Porque nele te revejo. Sempre. A toda a hora.
Mas eu nao queria , eu juro que nao. Amar-te faz-me mal.
Por nao me pertenceres tudo me parece soturno, mas por nao me poderes pertencer tudo é vão e a minha existência é nula.
Tu és quem me enleia, me eleva, me preenche e me foge por entre os dedos das mãos que de tanto apertar perderam a força.
Ai se tudo isto fosse uma obsessão de menininha sem juizo, ai se eu não te esperasse a cada instante e não te quisesse eterno.... se ao menos eu te pudesse esquecer! Tirar-te de mim , libertar-me das amarras que quanto mais tento soltar, mais me prendem e me ferem.
Mas porque é que tu tinhas de ser tudo o que és? Porque é que eu teimo em te amar mais do que a própria vida... que já não é vida, não é nada , é o vácuo , o grito abafado que não consigo dar.
Gostava de acordar pela manhã e sentir-te respirar calmamente ao meu ouvido, de te poder agarrar o pescoço e dizer que te admiro, te estimo, te sonho, respeito, quero e amo. Gostava simplesmente de gostar sem me sentir culpada. Culpa que não vem do preconceito social, da distância hierárquica e etária ou de qualquer outra insignificância, mas que emerge da reciprocidade inexistente.
E ainda que o amor que te tenho chegasse para os dois, é estéril alimentar esta força que me consome e alumia, me queima e me acarinha.
Vou querer conservar o elo inocente que nos une e poder sempre olhar-te nos olhos de frente, tranquila, por não saberes quem és para mim.
Que Deus te proteja e te faça muito feliz.
Sempre tua.
Agora tento apenas desabafar tudo o que te não posso dizer e que ninguém parece acreditar.
E eu odeio frases complexas e balofas, estruturas invertidas e sem sentido, palavras eruditas e pedantes. Tudo isso é caro ao amor lírico e platónico, não ao amor que te tenho. Que é puro mas é concreto, palpável e vermelho, que é o mar, as crianças , a melodia, o descanso, a noite , o sol, os livros, um piano, uma caneta, uma folha em branco, é a imaginação , o vento, a dor , o desejo, as tuas mãos... é o mundo inteiro. Porque nele te revejo. Sempre. A toda a hora.
Mas eu nao queria , eu juro que nao. Amar-te faz-me mal.
Por nao me pertenceres tudo me parece soturno, mas por nao me poderes pertencer tudo é vão e a minha existência é nula.
Tu és quem me enleia, me eleva, me preenche e me foge por entre os dedos das mãos que de tanto apertar perderam a força.
Ai se tudo isto fosse uma obsessão de menininha sem juizo, ai se eu não te esperasse a cada instante e não te quisesse eterno.... se ao menos eu te pudesse esquecer! Tirar-te de mim , libertar-me das amarras que quanto mais tento soltar, mais me prendem e me ferem.
Mas porque é que tu tinhas de ser tudo o que és? Porque é que eu teimo em te amar mais do que a própria vida... que já não é vida, não é nada , é o vácuo , o grito abafado que não consigo dar.
Gostava de acordar pela manhã e sentir-te respirar calmamente ao meu ouvido, de te poder agarrar o pescoço e dizer que te admiro, te estimo, te sonho, respeito, quero e amo. Gostava simplesmente de gostar sem me sentir culpada. Culpa que não vem do preconceito social, da distância hierárquica e etária ou de qualquer outra insignificância, mas que emerge da reciprocidade inexistente.
E ainda que o amor que te tenho chegasse para os dois, é estéril alimentar esta força que me consome e alumia, me queima e me acarinha.
Vou querer conservar o elo inocente que nos une e poder sempre olhar-te nos olhos de frente, tranquila, por não saberes quem és para mim.
Que Deus te proteja e te faça muito feliz.
Sempre tua.
