Voltar a Escrever
Hoje olho para trás e acho tudo o que escrevi ridículo. O amor exacerbado, a angústia desmedida, era tudo tão exagerado, mas era tudo bem meu, não nego, estava tudo assim dentro de mim.
Era tudo no tempo em que arriscava, sem pensar nas consequências, era no tempo em que só nesse tumulto interior, nessa intensidade constante dos sentimentos, eu me projectava.
Passaram-se tempos e com eles vivências.
E deixei de escrever.
Faltava-me a imensidão avassaladora do que eu julgava ser o amor.
Afinal julgava errado.
Talvez ainda hoje não julgue certo.
Mas tu mexes comigo. E mexes bem mais do que eu queria.
Tu trouxeste-me o friozinho na barriga, a expectativa da notícia, os suspiros que eu pensava ter esgotado nas linhas dos poemas pateticamente escritos.
Tu que não correspondes a muitos dos meus desejos, tu que não tens muito do que tinham outras minhas paixões, tu tens-me a mim. Não tens o meu corpo, mas tens o meu Eu a pairar por cima da tua cabeça, o que quase ninguém conseguiu.
A maneira como me olhas desconcentra-me, o jeito como me sorris enleva-me, a forma como não te apercebes de que me deixas assim ainda mais me prende a ti.
Anseio a toda a hora um sinal da tua presença, descanso apenas quando os meus olhos te encontram, adormeço contigo no pensamento e, sabendo que não és a solução para todos os males, a tua existência faz-me bem.
A indiferença e superioridade com que te moves , como se fosses dono do Mundo , por mais que me custe admitir, tornaram-te dono do meu.
Sim, tu mexes comigo!
Não vou dizer que te amo, que te adoro, que te outra coisa qualquer, deixo isso para os poemas da minha infância amorosa. Mas digo-te uma coisa com bem mais poder sobre mim, digo-te a consumação de tudo o que sinto, nada mais poderia provar o absoluto efeito que exerces no meu intimo…
… tu fizeste-me voltar a escrever!
Rita Grade
Era tudo no tempo em que arriscava, sem pensar nas consequências, era no tempo em que só nesse tumulto interior, nessa intensidade constante dos sentimentos, eu me projectava.
Passaram-se tempos e com eles vivências.
E deixei de escrever.
Faltava-me a imensidão avassaladora do que eu julgava ser o amor.
Afinal julgava errado.
Talvez ainda hoje não julgue certo.
Mas tu mexes comigo. E mexes bem mais do que eu queria.
Tu trouxeste-me o friozinho na barriga, a expectativa da notícia, os suspiros que eu pensava ter esgotado nas linhas dos poemas pateticamente escritos.
Tu que não correspondes a muitos dos meus desejos, tu que não tens muito do que tinham outras minhas paixões, tu tens-me a mim. Não tens o meu corpo, mas tens o meu Eu a pairar por cima da tua cabeça, o que quase ninguém conseguiu.
A maneira como me olhas desconcentra-me, o jeito como me sorris enleva-me, a forma como não te apercebes de que me deixas assim ainda mais me prende a ti.
Anseio a toda a hora um sinal da tua presença, descanso apenas quando os meus olhos te encontram, adormeço contigo no pensamento e, sabendo que não és a solução para todos os males, a tua existência faz-me bem.
A indiferença e superioridade com que te moves , como se fosses dono do Mundo , por mais que me custe admitir, tornaram-te dono do meu.
Sim, tu mexes comigo!
Não vou dizer que te amo, que te adoro, que te outra coisa qualquer, deixo isso para os poemas da minha infância amorosa. Mas digo-te uma coisa com bem mais poder sobre mim, digo-te a consumação de tudo o que sinto, nada mais poderia provar o absoluto efeito que exerces no meu intimo…
… tu fizeste-me voltar a escrever!
Rita Grade

5 Comments:
mirarme dentro y comprender
que tus ojo son mis ojo
que tu piel es mi piel
en tu oido me alborozo
en tu sonrisa me baño
y soy parte de tu ser
te amu*
Muito bonito, linda. Eu concordo com o que dizes ao princípio. Olho para as gravações, para as fotos e para todo o meu passado e acho fraco, sem qualidade, fútil. Mas ao fim ao cabo não deixam de ser passos que tive de dar para ser a pessoa que sou e que vou ser.
Nunca tive um blog, nem nada que se parecesse (talvez tenha escrito alguns textos no hi5), porque nunca me dei ao trabalho de passar para palavras os meus sentimentos. É-me difícil, não sei se consigo. Sou melhor a escrever o que vejo do que o que sinto. Tu escreveste o que sentes. É bonito, respeito e gosto muito. Um beijo, amor!
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Nao congigo resistir à tentação de vir aqui ver as coisas lindas que escreves...
Sempre achei, e continuo a achar que és especial!
Gosto mt de ti miúda!
obrigado!n sabes, n sonhas sequer.. mas o q escreveste tem um enorme significado para mim..
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